Recentemente houve no colégio uma palestra ministrada pelo estudioso ambientalista Roberto Lenox. Foram apresentados por ele temas relacionados ao meio ambiente, alertando-nos sobre a sua atual situação: se não conseguirmos reverter o processo de destruição acarretado pela poluição e consumo excessivo do ser humano, até o final do século, há a possibilidade de que a raça humana seja extinta. Um dos pontos abordados por ele para justificar essa importância é o desaparecimento de inúmeras espécies de abelhas. Coincidentemente, dois membros do grupo, Lucas e Mateus, fizeram um artigo abordando o tema ano passado. Aqui está o trabalho:

Distúrbio do Colapso das Colônias:
O que é e qual a sua importância
André Xavier Bandeira
Lucas Magno Dantas Ramos
Mateus Dantas Brixi
Pedro Tostes
Vitor Joffily de Azevedo
9º Ano – EF II
Colégio Marista de Brasília – DF
Resumo:
O trabalho tratará do fenômeno conhecido como DCC (Distúrbio/Desordem do Colapso das Colônias), caracterizado pelo desaparecimento de diversos gêneros de abelhas domésticas, abandonando suas colônias deixando a abelha-rainha para trás, que atingiu seu ápice no inverno dos anos de 2006 e 2007, na Europa e nos EUA (Estados Unidos da América), respectivamente. Será também incluída uma lista das causas prováveis do fenômeno, que incluem, mas não se limitam a: ação de patógenos; problemas genéticos; intoxicação por pesticidas. Além disso, será feita uma análise do ponto de vista econômico e biológico das consequências do fato, considerando possíveis cenários hipotéticos onde há uma intensificação do fenômeno ou uma ampliação de seus efeitos. Como conseqüência primordial está listada: diminuição da atividade polinizadora devido à diminuição da população de abelhas, fato que acarreta uma série de problemas na economia mundial e pode provocar uma reação em cadeia no meio ambiente. Também estará incluída uma reflexão sobre a importância do estudo desses fenômenos e a divulgação deste conhecimento por meio de artigos, levando em consideração a falta de conhecimento que temos quando o assunto é o planeta Terra e toda a biodiversidade que nele habita.
Palavras-chave: DCC, abelhas domésticas, polinização
Introdução:
Todos conhecem as abelhas, os famosos artrópodes que produzem, entre outros, o mel, a cera e habitam em colmeias espalhadas por vários lugares do globo. Porém, será que todos realmente sabem a verdadeira importância delas? Albert Einstein, o famoso físico alemão, segundo alguns, uma vez disse: “Se as abelhas desaparecessem da face da Terra, a espécie humana teria apenas mais quatro anos de vida” (Tracy Wilson, 2007).
Ao longo desse artigo, serão analisadas as implicações do desaparecimento das abelhas, que foi observado em algumas colônias domésticas.
Serão listadas as principais causas prováveis do fenômeno, conhecido na comunidade científica como DCC (Distúrbio/Desordem do Colapso das Colônias), explicando-o junto aos prováveis fatores que o acarretam. Também serão indicadas detalhadamente as consequências desse fato, considerando a economia global e a biosfera, dando destaque aos seus efeitos na cadeia alimentar e seu impacto na humanidade.
A partir da explicação do fenômeno, também será feita uma análise da importância do estudo de assuntos similares no contexto do mundo atual.
Por fim, serão levantadas algumas possibilidades para tentar reverter os danos que serão causados por uma possível extinção das abelhas domésticas, considerando também o cenário da extinção das abelhas selvagens, tentando também prever como poderá afetar o futuro próximo, tanto direta quanto indiretamente. Veja a seguir:
O que é DCC?
DCC (Distúrbio/Desordem do Colapso das Colônias) é como ficou conhecido um fenômeno noticiado desde 1972, mas que ganhou grande proporção atualmente. Ele é caracterizado pela morte de uma colônia de abelhas, normalmente domésticas (criadas pela prática de apicultura), segundo algumas características definidas:
◙ A presença de favos tampados nas colônias abandonadas (normalmente as abelhas não abandonam a colméia até que todas as larvas, em forma de pupa, tenham maturado e saído dos favos);
◙ A presença de mel e pólen nas reservas da colmeia que não é roubado por outras abelhas, e demora um tempo consideravelmente maior para ser ingerido por parasitas, como o Aethina túmida;
◙ A presença da rainha na colméia (se a rainha não estiver presente, o abandono da colmeia é justificado e não é tratado como DCC).
(Obs. Alguns outros sintomas como a diminuição considerável do número de abelhas operárias na colmeia e a composição dessa classe por operárias muito jovens às vezes podem ser observados em colônias que sofrem DCC.)
O DCC se manifesta principalmente durante o inverno, amplificando as perdas já naturais de 15 a 25% da população para, normalmente, acima de 30%. Seu ápice foi observado nos Estados Unidos, em 2007, onde, em alguns estados, aproximadamente 70% da população de abelhas haviam morrido. O fenômeno também foi evidenciado na Europa em 2006. Um exemplo foi à anormal morte de aproximadamente 40% na Alemanha sem explicação científica, apesar do número de casos de DCC não ter sido confirmado. Em 2009, as perdas no inverno nos EUA foram de aproximadamente 28,6% da população, sendo apenas 15% creditado ao DCC. Atualmente, porém, o fenômeno parece ter voltado a crescer, com morte de aproximadamente 33,8% da população durante o inverno de 2010, sem uma proporção do número de casos de DCC estimada deste total.
Quais são as causas desse fenômeno?
Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar a causa exata, embora haja várias suspeitas. As mais discutidas estão a seguir:
● Problemas de nutrição: Uma maioria gigantesca das colônias afetadas pelo distúrbio apresentou algum tipo de problema de alimentação antes do desaparecimento. Segundo pesquisadores, o estresse alimentício deve-se, provavelmente, às técnicas de apicultura, como alimentar as abelhas com glicose concentrada extraída de alguns vegetais, como o milho. Essa prática pode acarretar uma diminuição do sistema imunológico da abelha, deixando-a mais sensível a infecções;
● Patógenos e pestes: Alguns tipos de vírus, como o Vírus Israelense da Paralisia Aguda e o Vírus da Deformação de Asas, que causam atrofia nas asas das abelhas infectadas e subsequente paralisia, foram isolados em algumas abelhas encontradas. De acordo com os pesquisadores, as abelhas foram infectadas pela ação de pestes como ácaros, destacando-se o Varroa destructor, que parasita abelhas operárias adultas e inibe seus sistemas imunológicos, ao mesmo tempo em que as infecta com diversos tipos de vírus, principalmente com os dois citados;
● Intoxicação por pesticidas: Foram evidenciados em algumas colônias abandonadas níveis anormais de substâncias tóxicas encontradas em pesticidas, o que explicaria o motivo de as colmeias não serem ocupadas por outros insetos, e de o mel armazenado não ser consumido.
● Mutações: Outra causa provável é algum problema no desenvolvimento da rainha, que estaria transmitindo algum tipo de dano genético às operárias, causando uma mutação em seu sistema de orientação e vôo;
Apesar de tantas causas, nenhum estudo conseguiu apontar uma causa definitiva para o problema, constituindo então um mistério. A explicação mais aceita pela comunidade científica é que na verdade o DCC seria causado pela ação conjunta de vários fatores, tais como os que foram citados acima.
Por que é importante estudar fenômenos desse tipo?
É necessário estudar fenômenos como o DCC para que se possa compreender mais profundamente o nosso planeta, entendendo seus mecanismos naturais e como eles se relacionam entre si, podendo prever então suas consequências e tentar preveni-las. Isso é de vital importância para que a humanidade possa preservá-lo.
Atualmente, porém, a maior parte das descobertas e discussões está concentrada em áreas como o universo e o mundo subatômico. Se tivermos estudos direcionados para áreas da biologia, normalmente são pesquisas sobre o genoma humano ou assuntos similares, dentro do tema saúde. Compreender como as coisas funcionam, de onde viemos, como combater doenças e assuntos como esses realmente é algo importante e vital para o desenvolvimento do conhecimento humano. Porém, o estudo de fenômenos e da vida dentro do nosso planeta deveria ser pelo menos tão valorizado quanto os estudos citados anteriormente, visto que qualquer alteração neste pode fazer com que não vejamos o amanhã outra vez. Talvez já possamos ter chegado ao estado onde sabemos mais sobre o universo e os mundos microscópicos do que sobre o ambiente a nossa volta. O estudo de fenômenos como o DCC também é vital para renovar nosso interesse sobre o nosso próprio lar, visto que ainda há tantas coisas que a ciência desconhece sobre ele.
Quais são as consequências dele?
O DCC poderia resultar na extinção das abelhas domésticas, se sofrer alguma intensificação. As abelhas domésticas são as maiores produtoras de mel, sendo, portanto, essa a primeira conseqüência: diminuição na produção do mel comercial. Apesar de alguns efeitos sobre a economia mundial, isso não seria algo realmente, impactante, certo? Errado. A principal função das abelhas, tanto na biosfera quanto na economia, é a função de polinizador: transportar o grão de pólen (contém a célula gamética) da antera (parte masculina da planta que produz o pólen) para o estigma (parte feminina que conduz o pólen até o carpelo, o “óvulo” das plantas).
Para se ter uma noção do impacto da diminuição súbita das abelhas domésticas, elas são responsáveis por polinizar e manter o desenvolvimento de plantações monocultoras dos EUA, sendo responsáveis indiretamente por 15% da produção agrícola do país. Também se deve considerar que são as principais responsáveis por alimentos usados para alimentar criações de animais, podendo representar um percentual de influência ainda maior.
Se considerarmos a cadeia alimentar, o impacto ainda seria mais desastroso, já que elas têm uma influência grande na reprodução de vários produtores, que provavelmente sofreriam uma diminuição de sua população com a diminuição do número de abelhas, acarretando um efeito em cadeia (consumidor primário sofreria com escassez de alimento, tendo uma diminuição na sua população, que causaria impactos na alimentação do consumidor secundário e assim por diante). Mesmo em uma teia alimentar, seria possível observar os efeitos de tal fenômeno, pois os produtores polinizados pela abelha estão no primeiro nível trófico, formando a base de uma cadeia ou teia alimentar.
Como seria possível reverter os efeitos de uma possível extinção das abelhas domésticas caso o DCC fosse intensificado?
Quanto aos efeitos na biosfera, provavelmente haveria uma diminuição na população de vários animais, mas muito dificilmente conseqüência mais séria, pois outras espécies de abelhas e outros agentes polinizadores poderiam evitar o risco de extinção dos gêneros de produtores que são sofrem mais a ação da polinização. Quanto aos efeitos à economia, porém, seria necessário a implementação de alguma técnica artificial de polinização, pois as abelhas domésticas são as principais responsáveis pela polinização de plantações de monocultura voltadas para a exportação no mundo todo. A grande baixa na produção agrícola também teria seus efeitos nas criações, pois diminuiriam a quantidade de matéria prima usada em rações. Apesar de serem possíveis tentativas de criação de abelhas selvagens como a Xylocopa virginica em grande escala, elas dificilmente teriam sucesso, pois as abelhas domésticas, como a Apis, são muito mais eficientes na coleta de pólen. Outro fator é que as abelhas selvagens não têm a mesma organização social que as domésticas, não formando colônias, sendo, portanto, mais difíceis de serem criadas e transportadas.
O que aconteceria à raça humana se as abelhas fossem extintas?
Não se pode ter certeza, mas com certeza haveria uma queda extrema em vários gêneros agrícolas e no número de animais nas criações, visto que as abelhas selvagens também são responsáveis pela polinização de muitos vegetais. No pior cenário possível, o mundo poderia entrar uma profunda crise, com a necessidade de comida superando a capacidade de produção de alimentos, causando fome em escala mundial.
Outro aspecto que deve ser citado é um possível aumento da poluição do ar, já que gêneros como, principalmente, o milho, que é usado em larga escala nos EUA (um dos países que mais poluem com combustíveis fósseis no mundo) para a produção de biocombustível, depende da apicultura para obter uma boa safra.
A economia também sofreria muitos danos, já que haveria uma quantidade menor de matéria prima, acarretando uma diminuição das atividades industriais e uma diminuição da exportação de determinadas nações, podendo chegar a um cenário de crise econômica, que se alastraria devido à interdependência econômica que caracteriza a globalização atualmente.
Considerações finais:
A partir do trabalho, conclui-se que as abelhas domésticas têm um papel muito importante devido à sua função de polinizador, tanto sob o ponto de vista econômico quanto sobre o ponto de vista biológico. O DCC (Distúrbio/Desordem do Colapso das Colônias), apesar de ainda não representar uma verdadeira ameaça, deve ser estudado cuidadosamente, para que se possa prevenir um desastre no futuro, que pode acarretar desastrosas conseqüências sobre a humanidade e, no pior cenário possível, causar uma mudança no nosso modo de vida.
Também se pôde concluir que, apesar de tanto progresso e evolução na ciência através das eras, ainda sabe-se muito pouco sobre o nosso próprio planeta e as criaturas que nele habitam, visto que o DCC, evidenciado desde 1972 e estudado minuciosamente desde 2007 ainda constitui um mistério para a comunidade científica em sua essência. Levando em conta as descobertas recentes noticiadas pela mídia, podemos até mesmo dizer que sabemos mais sobre o mundo subatômico e o universo do que sabemos sobre o nosso planeta e a vida que habita nele. Estamos tão preocupados sobre assuntos como a origem do universo, viagens interplanetárias e a colonização de outros planetas e satélites naturais que nos esquecemos do agora e da situação do nosso próprio planeta. Desmatamento, aquecimento global, poluição e mais uma gama de problemas estão ocorrendo, e se tem uma boa hora para preocupar-se com o que está à nossa volta, essa hora é agora. Por meio deste trabalho, estamos dando nossa contribuição, divulgando um dos problemas que ocorrem no presente na Terra, chamando a atenção de qualquer um que se interesse a lê-lo, lembrar às pessoas que existem coisas com o que se preocupar perto de nós e, se não tomarmos uma atitude, podemos sofrer as consequências bem antes do que se imagina.